Património
Engenho de Serra do Costa
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“Este engenho era construído em alvenaria de granito, argamassada com barro. Tem planta rectangular, com 13 m x 5,5 m, tendo duas janelas e um janelo virados ao rio.
A roda penal, com diâmetro de 3 m que movimentava este engenho, era alimentada pela água de um açude com cerca de 25 m de comprimento e 1,30 m de largura, que servia também a azenha do Lourenço na margem oposta, em frente a este.
Na data do primeiro registo, as paredes estavam em bom estado, bem como o travejamento, sendo o telhado de telha nacional. Encontrava-se abandonado e o seu interior desfeito, servindo como espaço de arrumos de lavoura. No topo sul, fora construído posteriormente um alpendre coberto por chapas de zinco, sob as quais foi montado um charrió electrico, embora também já inactivo. Virado para o rio, tinha um janelo e uma porta.
Este engenho – de uma só carreta e serra única – serrava caibros, soalho e forro, sendo este exportado. O custo da serragem era por 12 tábuas, pagando-se dois e três tostões (centavos). Com uma ligação à roda, foi montada uma “bitola”, que fazia fasquia e ripas – ripado utilizado na construção das divisórias das casas.
Os carreteiros e pessoas individuais é que traziam a madeira para serrar, proveniente de Aguiar, Cossourado, Barroselas, Carvoeiro e Durrães.
Na primeira recolha de dados, era dono Francisco Xavier Monteiro Costa Maciel, de 58 anos, agricultor, tendo informado ter este engenho deixado de funcionar em 1958, não havendo intenção de o recuperar para as funções para que fora edificado.
Na última actualização, este engenho encontrava-se reabilitado e ampliado, mas o seu uso era, no momento, para casa de férias e de fim-de-semana, sendo outro o seu proprietário e não residente na freguesia. As paredes exteriores estavam com o granito à vista e juntas com argamassa de cimento.
O telhado é de quatro águas, sendo usada moderna telha portuguesa. O açude que o servia encontrava-se em razoável estado de conservação, embora ameaçando ruína na margem esquerda, junto à pejadoura.”
in “Rio Neiva – Rodas d’água e agro-sistema tradicional”, Rogério Barreto, Raimundo Castro, José Oliveira e Manuel Delfim Pereira (2013)





