Património
Azenhas de Vale
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“(a azenha pequena), de planta rectangular, tem 6m x 5m, sendo construída em alvenaria de granito com argamassa de saibro. Tem uma porta a poente e um janelo a sul virado ao rio. O telhado, de duas águas, era de telha nacional de canudo e os caibros de suporte eram forradas de madeira “à manta”.
Originalmente a funcionar de roda penal, passou posteriormente a moinho de dorna, tendo a tomada de água passado para o topo oposto. A água provinha do açude anexo, em progressivo estado de degradação, à data do primeiro registo, a qual servia também a azenha grande, imediatamente a seguir.
O cereal mais usado no seu processo de farinação era o trigo. As fornadas eram levadas à cabeça
pelos clientes, tendo sido Joaquim Afonso Branco, “Cezília”, de Barroselas, o seu último moleiro em 1966.
Na altura do primeiro registo, encontrava-se em ruínas, embora com as paredes ainda em pé, sem telhado e com amieiros e heras e destruir as suas fundações. Era propriedade de Daniel Martins da Silva, de Barroselas, ou de herdeiros.
Por ocasião do último registo, a degradação acentuou-se com o desmoronamento acentuado das
paredes nascente e sul. Quanto ao açude, com a extensão aproximada de 35 m por 1,5 m de largura, estava em bom estado, fruto de obras de reabilitação levadas a cabo, em 1997, por uma associação local.
De planta rectangular, com 11m x 8m, (a azenha grande) é construída em alvenaria de granito argamassado com saibro. O telhado era de duas águas em telha nacional de canudo. O seu interior, forrado “à manta”, tinha uma divisão com uma lareira e uma cama que serviam para o moleiro aquando da necessidade de fazer serão. Tem duas portas, uma a nascente e outra a norte, sendo esta mais larga para permitir guardar a carroça, roupas, farinhas e utensílios diversos. Virados ao rio, a sul, tem dois janelos.
Era uma azenha grande com dois casais de mós, cuja propulsão era feita através de duas rodas de penas, servidas por canais independentes, com a água vinda do mesmo açude da azenha pequena.
Moía praticamente só milho, e as moendas vinham à cabeça de mulheres de Barroselas, Carvoeiro e Tregosa, embora, em tempos, houvesse uma carroça com burro que se destinava à recolha e entrega de fornadas. A forma de pagamento era a maquia. O moleiro era o mesmo da azenha pequena e, tal como nesta, foi também o último em 1966. A propriedade onde está implantada é comum à da azenha pequena.
Esta azenha era propensa a cheias e facilmente era tomada. Conta-se que, em certa ocasião, o
moleiro “Barraca” pernoitara nela e, surgindo uma “cheia”, teve que sair da azenha, na escuridão, com a água pela cintura.
Na data do primeiro registo, já não dispunha de telhado, estando invadida por silvas e detritos
variados. As paredes ainda se encontravam em bom estado de conservação. No pequeno logradouro, em semi-circunferência norte-poente, estava armada uma vinha que disfarçava as suas dimensões.
Na última actualização, notava-se o agudizar da sua fragilidade, não só pela passagem do tempo,
mas sobretudo pelos actos de vandalismo dos veraneantes que aqui afluem. A vinha fora arrancada pelo proprietário. O açude que a serve está bem conservado, em resultado da recuperação a que foi sujeito, conforme referido na azenha anterior.
A jusante, à vista destes dois imóveis, está levantada a “Ponte de Vale”139, que liga as freguesias de Barroselas e Tregosa, e, consequentemente, os concelhos de Viana do Castelo e Barcelos e os distritos de Viana do Castelo e Braga.”
in “Rio Neiva – Rodas d’água e agro-sistema tradicional”, Rogério Barreto, Raimundo Castro, José Oliveira e Manuel Delfim Pereira (2013)
















