Património

Azenha das Boticas

“De planta rectangular, com as dimensões de 7,30 m x 5,60 m, esta azenha está construída em alvenaria de granito. Na parede norte tem uma porta em ferro de 2 m x 0,80 m, três postigos a poente e dois virados para o rio, a sul, vidrados e em madeira.
A roda de penas que movimentava esta azenha, era movida pela água encaminhada pela levada adjacente, ligeiramente convexa e com 35 m de comprimento por 2 m de largura.
Na data do primeiro registo, todo este imóvel encontrava-se em bom estado de conservação, com juntas em argamassa de cimento pintadas de branco. O telhado de duas águas é de telha moderna portuguesa, com chaminé. Esta azenha é abastecida por energia eléctrica.
Segundo informações recolhidas, por volta do ano de 1952, a azenha esteve tomada durante três
meses, tendo sido necessário resgatar pelo telhado o moleiro Ti Manel “Braga” que, na altura, ali vivia sozinho. Aqui foram também moleiros, Ti Custódio “Moleiro”, Tijola Velha, Ti Avelino “Moleiro” e os filhos do Ti Manel ”Braga”.
As fornadas eram transportadas à cabeça em sacos de linho e panos de tenda, sendo os clientes
especialmente de Barroselas, Portela Susã, Tregosa e Vacaria (Carvoeiro), mas neste caso somente no Verão. O moleiro, Ti Manel “Braga”, teve uma jerica para o transporte também de fornadas e cereais, a que chamavam a “Quinhas do Braga”.
Devido à falta de água no Verão, havia um moinho de rodízio em madeira que era colocado no
meio da levada num boqueirão, ainda existente, e que, por uma certa negligência, fora arrastado por uma cheia.
Esta azenha foi adquirida por Baltazar Oliveira Santos e pelo Padre Joaquim da Costa Peixoto, à
Santa Casa de Misericórdia de Viana do Castelo no início da década de 1960, quando já não funcionava.
Reabilitaram-na, tendo este espaço sido usado para encontros culturais, com destaque para o que aconteceu em 4.05.1969, quando ali se reuniu a Tertúlia de Jornalistas do Alto Minho, evento assinalado por placa evocativa, colocada do lado esquerdo da porta.
Na última actualização, o estado de conservação deste imóvel não se tinha alterado, e o seu uso
estava virado para a realização de esporádicos convívios de amigos. Quanto à levada, o seu estado de conservação era bom, em resultado das benfeitorias realizadas, em 1997, por uma associação local.”
in “Rio Neiva – Rodas d’água e agro-sistema tradicional”, Rogério Barreto, Raimundo Castro, José Oliveira e Manuel Delfim Pereira (2013)

Outras designações: Azenha de Berre

 

Localização:
Lugar das Boticas, Barroselas; Rua Ponte de Lourido, Tregosa