Património

Capela do Espírito Santo

“Perto das águas murmurantes do Rio Neiva, cadentes do açude de Berre, junto duma azenha parada, onde era moído o grão sazonado no vale, surge um pequeno adro ladeado de casas, com capela ao centro e cruzeiro ao lado. É o lugar das Boticas.
Uma estrada antiga segue até ao Ribeiro da Fraga, que atravessa em pontelha semicaida, e acompanha as curvas sinuosas do rio até ao cruzeiro de Algares, onde desaparece para surgir algures. Por aqui passaram, ao longo dos séculos, vários povos invasores, carros de cavalos e de bois, cujas rilheiras se veem nas lajes do caminho. Há algumas décadas, o local era ainda infestado por maltas de ladrões, como muito bem descreve José Rosa Araújo em Rastos de Sombras.
Neste rincão paradisíaco do Verde Minho, viveram pessoas humildes que se conseguiram libertar das leis da morte praticando actos de valor. António da Costa e Luís foi um casal unido pela mesma aspiração de adorar a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade em capela própria. Deviam ser pessoas remediadas, olhando ao elevado montante das despesas suportadas com a construção do edifício, aquisição de paramentos, de ornamentos, e aos rendimentos dos bens doados para a fábrica duma capela. O facto de possuírem sepultura na igreja paroquial vinda dos
seus denota linhagem, pois só assim sucedia com gente rica, ou de projecção social.
A propósito, é interessante anotar: as sepulturas da igreja paroquial de Capareiros pertenciam a reduzido número de pessoas, pois havia quem possuísse sete e oito sepulturas, por as terem herdado dos antepassados. Este facto gerou tumultos dentro da igreja, aquando dos enterramentos, por parte dos parentes dos fregueses que não tinham onde dormir o último sono.”
in “Capelas do Couto de Capareiros”, Paulo de Passos Figueiras (1990)

 

Localização:
Lugar das Boticas, Barroselas