Património
Estanca-rios de rodado duplo de Vale
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“Esta peça, que se crê, única no vale do Neiva, possui uma entrosga, com 2,40 m de diâmetro, que fazia movimentar dois carrinhos e respectivos rosários, com a força de duas juntas de gado. Este engenho permitia, também, nos dias em que a água pertencia ao consorte que tinha terrenos mais elevados, fazer o transvase, através de um aqueduto subterrâneo, para outro poço situado a algumas centenas de metros a montante, o qual dispunha de um estanca-rios que extraía a água para regar os campos que se encontravam a um nível superior ao primeiro poço. Um engenhoso sistema de condução de água para terrenos com cotas mais elevadas.”
in “Rio Neiva – Rodas d’água e agro-sistema tradicional”, Rogério Barreto, Raimundo Castro, José Oliveira e Manuel Delfim Pereira (2013)
“No bosquejo feito sobre os valores do Património de Barroselas, regista-se também um artístico estanca-rios, feito em ferro forjado, pelos artistas ferreiros que há um século tinham forja, em Padim da Graça, Concelho de Braga, que tem a singularidade de ser dotado de dois rodados movimentados em simultâneo através de uma entrosa, situada no centro, entre um e o outro “rosário” de copos em chapa zincada, que elevavam a água da mina, para regar os campos de Vale e do Lombo ao redor, accionados por duas juntas de vacas ou bois.
Com o aparelho agora desactivado, coberto de silvas e muito mal tratado, três irmãos que nasceram perto da localização do estanca-rios, viveram a sua infância e reconhecendo valor artístico do aparelho e como um deles consorte das águas, dele provenientes resolveram mover um campanha junto dos 23 consortes, no sentido destes doarem a sua quota parte à Junta, para esta velar pela sua conservação e eventualmente colocá-lo em local adequado como símbolo do valor patrimonial da Freguesia, diligência que se saldou por um verdadeiro êxito”
in “Figuras e factos do Vale do Neiva”, Manuel Costa Pereira (2009)


