Património

Azenha dos Frades

“Esta azenha, construída em alvenaria de granito, tem planta rectangular, com 10 m x 5,5 m. Tem uma porta virada para montante do rio e para o açude, a nascente, assim como um janelo e uma porta para poente.
Este imóvel hidráulico, para além de azenha, integrava também, sob o mesmo tecto, um moinho
de rodízio que, em 1958, passou a ser de dorna. A roda penal que movia a mó da azenha era impulsionada pela água encaminhada por levada (canal), vinda de um açude, de forma convexa e em cunha, com cerca de 40 m de comprimento e 5 m de largura. Para levar água ao moinho, havia uma derivação daquele canal.
Por ocasião do primeiro registo, o seu interior evidenciava bem o estado de abandono a que tinha
sido votado o edifício, pois já não tinha soalho e, o cabouco, encontrava-se atolado de restos vegetais e resíduos domésticos, local que serviu, durante anos, de vazadouro. As paredes eram em granito com argamassa de barro/saibro, tendo largura estimada de 0,50 m, e nelas podiam ver-se três “cachorros” como elementos decorativos. Porém, tinha um travejamento novo com telha tipo marselha, bem como um anexo de 3 m x 3 m no topo norte que era a “casa do burro”, pois era com este animal que o moleiro se deslocava para recolher grão e levar as fornadas. Não obstante, havia fregueses que também vinham à azenha com as fornadas à cabeça, provenientes principalmente de Barroselas e Carvoeiro.
Esta azenha, que era considerada a que tinha melhor canal de queda de água das imediações, deixou de funcionar em 1962, sendo seu proprietário Domingos Baptista Maciel desde 1958 que, para além dos seus fregueses, moía também para a azenha dos “Lourenços”. Foram moleiros, entre outros, o “Ramos”, o Ti Manel “Cuco”, o Ti Avelino “Moleiro”, o Ti Zé Braga, o Ti Afonso e o Ti Joaquim, que aqui terá vivido.
Esta azenha dos Frades é assim chamada por ter sido construída pelos monges beneditinos do
Mosteiro de Carvoeiro, seus originais proprietários. Deste facto, surgem informações nos relatórios dos Estados trienais daquele mosteiro que se referem à sua construção: “Fese hua Azenha no Ryo Neyva dentro da Quinta que foy do Fagundes, que este Mosteiro otou com licença da Senhora Rainha, a dous triénios a qual está com toda agrandeza qmoy Segunda e trigo ao mesmo tempo com hũa só roda…. (Estado de 1786) …fizerão-se novas a roda grande e a interior da Azenha e na mesma pozerão duas mós (Estado de 1795).
(…) Na última actualização, verificou-se que esta azenha se encontra completamente alterada e irreconhecível em relação à sua traça e dimensões originais. Foi adquirida e transformada em casa de férias e de fim-de-semana, com acesso vedado pela margem. É propriedade do Dr. Salvato Trigo, de Ponte de Lima, Reitor da Universidade Fernando Pessoa. A levada encontrava-se em bom estado de conservação.”
in “Rio Neiva – Rodas d’água e agro-sistema tradicional”, Rogério Barreto, Raimundo Castro, José Oliveira e Manuel Delfim Pereira (2013)

 

Localização:
Lugar do Reboledo, Carvoeiro; Caminho da Fonte de Mana, Durrães