Património
Moinho das Pesqueiras
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“Defronte à azenha anterior, com o mesmo nome, e a sul – mais próximo do meio do rio – localizam-se as ruínas de um moinho de planta quadrada, de 4 m x 4 m e altura de 6 m. O telhado era de quatro águas, coberto por telha de canudo. Somente possui, como único vão, uma porta de 1,85 m x 0,90 m do lado norte, com soleira sobre-elevada, a 70 cm do chão, de modo a evitar inundação do seu interior, cuja transposição era feita com o recurso a um amovível cavalete de madeira.
Este moinho teve um casal de mós, que funcionava no sistema de dorna, apenas no Verão, com
a água vinda através de um boqueirão, aberto no mesmo açude da azenha. Pela abertura existente do lado sul do imóvel, e por ali passar um canal com água vinda de um pequeno boqueirão, aberto no mesmo açude, deduz-se que, em tempos, aqui tenha funcionado uma pequena roda de penas.
Os proprietários e moleiros deste moinho eram os mesmos da azenha anterior.
Pelos depoimentos recolhidos, este moinho teria deixado de laborar muitos anos antes da azenha,
encontrando-se, nas datas que se procederam os registos, abandonado, sem telhado, mas com as paredes intactas.
Sobre o açude, no boqueirão existente a alguns metros deste moinho, a sul, em tempos e, provavelmente, na mesma época da que existiu junto à Azenha dos Frades (azenha anterior), terá funcionado uma pesqueira, da qual nenhum vestígio restava, facto que estará na origem do topónimo deste sítio.
No boqueirão, em épocas posteriores, era colocado, no Verão, um moinho de rodízio em madeira,
quando a água escasseava. Certo ano, no início do outono, os utilizadores esqueceram-se de o desmontar e uma cheia levou-o, rio-abaixo, até Forjães, a 8km de distância. O Ti Custódio do “Velho” e o Gaspar “Moleiro”, resgataram-no das águas e trouxeram-no às costas até ao seu local de assentamento.”
in “Rio Neiva – Rodas d’água e agro-sistema tradicional”, Rogério Barreto, Raimundo Castro, José Oliveira e Manuel Delfim Pereira (2013)




